20 janeiro 2017

Jornal da Maré - Meio Ambiente & Território





   Em mais uma edição do Jornal da Maré, que trouxe o tema "Meio Ambiente & Território", colocou em evidência mulheres engajadas nas lutas comunitárias de diferentes cidades de Pernambuco. Estiveram presentes: Maria das Neves "Maria das Águas" (Presidente da Colônia de Pescadores Z-18 - Lagoa do Carro), Jasilma (Porto Jatobá - Abreu & Lima), Solônia (Quilombo Sambaquim - Cupira), Maria de Lourdes "Socorro" (Ilha de Deus - Recife), Regina Celi (Grupo Percussivo Flores do Monte - Jaboatão dos Guararapes) e Fran Silva (Ciranda de Mulheres - Recife). 






   As convidadas falaram sobre as dificuldades vivenciadas em suas respectivas comunidades, como: poluição sonora, poluição de rios, degradação ambiental, especulação imobiliária, intolerância religiosa, além da deficiência nas políticas públicas aplicadas nas comunidades reconhecidas como tradicionais. Durante o debate, a trajetória de luta e resistência no território da Comunidade Tradicional Pesqueira Ilha de Deus foi mencionada como referência à outras comunidades. Além disso, a importância de mulheres estarem sempre juntas em uma luta contínua foi pontuado como estratégia de fortalecimento, para que a voz dessas mulheres aguerridas, ganhe eco e mobilize outras. De acordo com Fran: Ser mulher na cidade também é uma afirmação política, nessa necessidade de querer transformar essa "cidade-mercado" pra uma cidade coletiva, pra uma sociedade socioambiental. Se existe cidade para mulheres, toda a sociedade vai conseguir viver de acordos com suas demandas. 

   A atração musical ficou por conta do Grupo Flores do Monte (Monte dos Guararapes), que trouxe toadas e cantigas populares, ao ritmo do baque virado de Maracatu. E também teve a contribuição de Dona Maria das Águas cantando o Hino da Campanha pelo Território Pesqueiro:

Chegou a hora de defender / Nosso pedaço de chão
A terra é nossa isso por direito / Respeite nossa tradição
A nossa luta é por terra e água / Do litoral ao sertão
Lutamos por igualdade / Com liberdade garantir o pão


Vem companheiro / Chega de indecisão

Vem engrossar a fileira / Desfralda a bandeira da libertação
Vem companheira / Esse é o nosso momento
Venha de todos os lados / E de braços dados entrar no movimento


Vamos juntos engrandecer / Nosso jeito de viver
Com território preservado / Nosso pescado é pra valer
Agora resta se organizar / Para impedir a degradação
Queremos é liberdade / Justiça, garra, determinação


Vem companheiro / Chega de indecisão

Vem engrossar a fileira / Desfralda a bandeira da libertação
Vem companheira / Esse é o nosso momento
Venha de todos os lados / E de braços dados entrar no movimento


Da pesca artesanal / Ecoa um grito no ar
Por território pesqueiro / Pra viver e trabalhar
Do norte ao sul ô que coisa linda / Ver a classe organizada
Juntando homens e mulheres / Seguindo a marcha em caminhada


Vem companheiro / Chega de indecisão

Vem engrossar a fileira / Desfralda a bandeira da libertação
Vem companheira / Esse é o nosso momento
Venha de todos os lados / E de braços dados entrar no movimento


Letra e Música: Das Neves (PE), Teba (BA), Manuel Roberto (PA) e Gilmar (BA).























                               CARANGUEJO UÇÁ É ARTE & SOLIDARIEDADE!

20 dezembro 2016

Construindo Direitos e Caminhos para a Sustentabilidade







As Comunidades Tradicionais possuem valores culturais e um corpo de conhecimentos que são transmitidos ao longo das gerações através da oralidade e da vivência, porém, normalmente são vistas como possuidoras de conhecimentos "empíricos", em vez de científicos. 

No contexto urbano, as intensas transformações espaciais provocadas pelo uso e ocupação desordenada do solo, assim como a degradação ambiental causada pela poluição e má gestão dos recursos naturais e hídricos comprometem o modo de vida das Comunidades Tradicionais Pesqueiras, uma vez que estas dependem de um meio ambiente equilibrado e saudável para manutenção das suas atividades. Dessa forma, o desenvolvimento de ações que buscam compreender os aspectos sociais, ambientais e históricos de uma comunidade, fortalecem a identidade cultural e o sentimento de pertencimento ao território. 

Estas, são algumas das ações que compõem o Projeto Construindo Direitos e Caminhos para a Sustentabilidade, onde crianças e jovens do Grupo Percussivo Nação da Ilha estão realizando uma pesquisa com moradoras e moradores mais antigos na comunidade e pescadores e pescadoras mais experientes. O objetivo desta ação é mergulhar nas raízes e saberes ancestrais como forma de reconhecer sua origem e valorizar sua história, neste sentido, estimular autonomia na construção de caminhos para garantia dos direitos.


O conhecimento é líquido!







Marcos Silva entrevistando Maria Antunes (Dona Socorro), pescadora, 62 anos, natural de Buíque, chegou na Ilha de Deus ainda criança. 

Thiago entrevistando Severina da Conceição (Dona Santina) pescadora, 68 anos, natural de São Vicente Ferrer e moradora da Ilha de Deus há 53 anos. 

Renata entrevistando Arlinda da Silva (Dona Miúda), pescadora, 83 anos natural de Rio Formoso e moradora da Ilha de Deus há 69 anos.
 
"Criei meus 11 filhos aqui dentro de barriga cheia, graças à Deus. Pesquei muito de mangote, de caceia, tirava unha (de velho), tirei sururu, tirava marisco e eu ainda tenho inveja porque não posso tá dentro da maré." Dona Miúda


Larissa Balbina entrevistando Jozias da Silva (Jó), pescador 56 anos, natural de Recife (Mustardinha) mora na Ilha de Deus há cerca de 40 anos.




Thiago entrevistando José Francisco Filho (Mosquito), pescador, 60 anos, natural de Recife (Coque), morador da Ilha de Deus há 47 anos.


As Comunidades Tradicionais Pesqueiras estão em campanha nacional com um projeto de lei de iniciativa popular que regulariza os territórios tradicionais pesqueiros, para participar, clique no link oficial da campanha e tenha acesso ao abaixo assinado:

http://documentospeloterritorio.blogspot.com.br/2012/07/abaixo-assinado-projeto-de-iniciativa.html

Caranguejo Uçá é Arte & Solidariedade!

15 dezembro 2016

Ocupe Passarinho * Ano II *


O Ocupe Passarinho consiste em um ato-político que possui auto-gestão e promove oficinas e intervenções na Praça do Passarinho (Zona Norte de Recife). Em sua segunda edição, o evento contou com a participação de diversos coletivos, organizações comunitárias, grupos culturais, movimentos sociais, além de um bingo solidário e feira agroecológica.  

O núcleo de comunicação Caranguejo Uçá vem fazendo jus aos objetivos das intervenções realizadas em projetos denominados: "Construindo Direitos e Caminhos para Sustentabilidade" e  "Plataforma Digital Caranguejo Antenado". Estes projetos buscam nas suas praticas pedagógicas: o fortalecimento,  a instrumentalização e o empoderamento, no resgate das raízes, no sentimento de pertencimento  nos  territórios e  na afirmação da  identidade  cultural. Atuando à partir de jornadas temáticas, encontros, vivências e  partilhas de saberes no universo de dois grupos sociais  (crianças  e mulheres)  de comunidades tradicionais ou comunidades descaracterizadas política e socialmente.  

A comunidade da Ilha de Deus se fez representar através do Núcleo de Comunicação Caranguejo Uçá, Grupo Percussivo Nação da Ilha, T.R.ILHA (Teatro de Rua da Ilha), Ciranda de Mulheres e Poupança Comunitária.  As vivências entre organizações comunitárias proporcionadas por eventos como o Ocupe Passarinho, são importantes por reafirmar os processos históricos de luta e de resistência dos povos em seus territórios, além de promover o intercâmbio cultural de grupos artísticos (coco, maracatu, teatro de rua, grafite), de grupos que promovem a economia solidária (agroecologia, artesanato) e de grupos que atuam na luta pela garantia dos direitos. 


#OcupePassarinho  http://ocupepassarinho.tumblr.com/


Caranguejo Uçá é Arte & Solidariedade!