27 setembro 2017

Encontro de Pescadores e Pescadoras do Recife 2017


Durante os dias 18 e 19 de Setembro, pescadores e pescadoras do Recife (e Olinda), estiveram reunidos no Memorial de Medicina de Pernambuco, debatendo sobre temas, como: Identidade Cultural, Direitos, Saúde, Meio Ambiente, Educação, Produção, Territórios Pesqueiros e Mulheres Pescadoras, à partir do cotidiano das Comunidades Tradicionais Pesqueiras. O encontro de pescadores e pescadoras do Recife é resultado de um processo construtivo e participativo de profissionais e de organizações ligadas aos movimentos sociais da pesca, que desenvolveram uma estratégia própria de mobilização das comunidades, à partir de visitas, rodas de conversa, registro audiovisual e da elaboração de um pré-diagnóstico, destacando-se o protagonismo de pescadores e pescadoras que informaram sobre como se encontra o cenário de cada uma das comunidades pesqueiras e fizeram sugestões para possíveis resoluções.










As problemáticas apontadas vão desde o descarte de resíduos ou lançamento de dejetos nos rios por empresas privadas e órgãos públicos, se caracterizando como fontes poluidoras; a carência de uma educação diferenciada e contextualizada, o não reconhecimento das doenças ocupacionais pelos Sistema Único de Saúde; a falta de dados estatísticos sobre a produção pesqueira; falta de dispositivos legais que reconheçam os territórios pesqueiros, o racismo institucional e ambiental por parte do estado com as comunidades e o machismo presente na categoria. Além dos pescadores e pescadoras das Comunidades: Brasília Teimosa, Bode, Caranguejo-Tabaiares, Coque, Espaço Ciência,  Ilha de Deus, Ilha do Maruim, Vila da Imbiribeira, Vila São Miguel e Vila Tamandaré, a intervenção contou com a participação de pesquisadores, pesquisadoras e estudantes universitários (UFPE, UFRPE e UPE) que contribuíram na relatoria e sistematização das informações para construção do documento final, fruto do encontro. 








A ausência de políticas públicas voltadas aos Povos & Comunidades Tradicionais indica que esses grupos ainda são invisibilizados pelo poder público e fatores como: especulação imobiliária, crescimento urbano desordenado e precarização dos serviços públicos colocam em risco o modo de vida de uma categoria sócio-profissional que é parte histórica da formação da sociedade recifense. Os rios, o mar, os manguezais e a maré são elementos que caracterizam Recife como um Território Pesqueiro e as suas Comunidades Tradicionais Pesqueiras seguem resistindo e lutando pela garantia de direitos constitucionais e pela valorização de sua identidade cultural.





















Você conhece a Campanha Nacional Pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras? Qualquer pessoa pode aderir a campanha e assinar o Abaixo-Assinado desse Projeto de Lei de Iniciativa Popular. Para mais informações acesse o link: Pelo Território Pesqueiro.



"No rio e no mar,
Pescadores na luta!
Nos açudes e barragens,
Pescando liberdade!
Hidronegócio, Resistir!
Cerca nas águas, Derrubar!"



Caranguejo Uçá é Arte & Solidariedade!
















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